Yang e foi, outrora, o rei dos infortúnios entre os genros que entram para a família da esposa. O desprezo e a humilhação eram parte de sua rotina, mas o que mais dilacerava sua alma era o fato de que
— Jovem, amanhã você enfrentará um grande perigo de vida ou morte.
Um mendigo sujo e desalinhado abriu um sorriso largo, exibindo sem pudor seus dentes amarelados, e falou num tom animado, quase querendo que todos notassem sua presença.
— Vai embora! Para de me amaldiçoar! — retrucou um rapaz de aparência desleixada, com os cabelos desgrenhados, balançando a cabeça e sem se dar ao trabalho de discutir com o mendigo.
— Toma isto, não se esqueça, não perca, pode te salvar a vida. — O mendigo enfiou à força um amuleto amarelo na mão do jovem e, sem esperar resposta, sumiu na escuridão do beco.
O rapaz franziu a testa e, ao examinar atentamente os caracteres no amuleto, sentiu um arrepio estranho. Pensou em jogar fora, mas, relutante, acabou guardando-o no bolso.
Não teve tempo de pensar muito no ocorrido, pois seus próprios problemas já eram infinitos e, para piorar, o celular vibrando sem parar quase o levava à loucura.
Quando o jovem se afastou, o mendigo retornou, observando o rapaz pelas costas, sorrindo de forma enigmática, com um brilho indecifrável nos olhos.
No dia seguinte.
— Maldito! Já te cobrei há dias! Vai pagar ou está guardando o dinheiro para comprar caixão pros teus pais? — Logo cedo, ainda grogue, Yang He pegou o celular vibrando, atendeu e foi recebido por um berro histérico do outro lado.
Yang He franziu o cenho, tomado pela amargura, mas revidou, gritando de volta:
— Vai pro inferno!
Desligou o telefone, tirou a bateria e largou o aparelho de lado.
O dinheiro, ah, o dinheiro pode er