Um romance é, por si só, um universo. Neste mundo de "Crônicas do Deserto Selvagem", existem povos tribais que lutam pela sobrevivência, desafiando o céu, a terra e as feras. Existem também cultivador
— Andem-se logo!
— Vocês já morreram, já são fantasmas, andem!
— Você é um príncipe? Milhões de súditos, trinta mil cavaleiros de ferro? Na Terra dos Mortos, príncipes do mundo dos vivos nada são!
Paf!
Paf!
Fileiras de soldados espectrais, altos e corpulentos, de rostos ferozes, brandiam chicotes crepitando com faíscas e açoitam os fantasmas que berravam, sobretudo aquele que se dizia príncipe, a quem desferiram dezenas de chicotadas, deixando sua alma tão rarefeita que quase se dissipou antes de pararem.
“Acho que morri mesmo... Então isto é o Submundo?”, pensou Ji Ning, que surgiu ali do nada, curioso diante do novo ambiente. Ouviu o fantasma do príncipe se gabar e ficou ainda mais intrigado: “Milhões de súditos? Trinta mil cavaleiros? A Terra é um mundo moderno, onde há isso?”
— Ande! — berrou um soldado espectral com cabeça de boi, irradiando uma luz azul-esverdeada, fitando Ji Ning.
Ji Ning seguiu a fila.
Inúmeras figuras de branco enfileiravam-se como longas serpentes, avançando lentamente. De tempos em tempos, uma nova silhueta de branco surgia no fim de cada fila: uns sacudiam a cabeça e suspiravam, outros choravam alto, outros praguejavam furiosos, outros ainda mostravam confusão e espanto.
— Meu pai é o Rei Demônio da Montanha de Neve, você ousa me bater? Eu sou o Deus da Guerra! Vou devorá-lo, grr!
— Não bata!
— Ah!
Esses fantasmas, recém-chegados ao Submundo, ainda pensavam que estavam vivos — ao sentirem o chicote, muitos ainda berravam, mas logo percebiam a verdade: estavam mortos, e não impor