O florescimento e a decadência das grandes famílias, as sucessivas mudanças de dinastias — as pessoas sempre buscam no passado reflexos do presente, exploram o círculo vicioso das repetições feudais,
Quando a consciência começou a emergir daquela névoa turva, sentiu alguém a chamá-lo, mas, imerso nas lembranças que antecederam sua morte, não desejava despertar. Sua mente já vagava pelo passado distante.
Antes do advento do apocalipse, fora um escritor de certa notoriedade. Não era famoso, mas também não passava necessidades; vivia uma existência tranquila, sem grandes feitos. Imaginava que toda a sua vida se desenrolaria nesse compasso calmo, até que o fim do mundo chegou.
A crise viral.
Era difícil acreditar: alguém sedentário, pouco familiarizado com o trabalho manual ou a lida com a terra, que passava os dias diante do computador e mantinha o corpo constantemente em estado precário, sobreviveu dez anos naquele cenário de mortos-vivos e criaturas mutantes. Mais que isso, tornou-se o soberano de uma cidade-base, detendo o destino de mais de setenta mil almas.
Setenta mil pessoas. Num mundo anterior ao fim, talvez não parecessem muito: um vilarejo próspero teria mais habitantes. Mas, após dez anos de apocalipse, era provável que esse número correspondesse à população sobrevivente de toda uma província.
Infelizmente, seu auge terminou aí. Fora traído. Alguém deliberadamente atraiu os mortos-vivos para fora dos muros da cidade, causando o caos. No tumulto, foi assassinado por um atirador.
O responsável? Já não importava. Para conseguir abrir brechas e conduzir os mortos-vivos sem alarde, só poderia ser alguém muito próximo, um de seus mais fiéis.
Dez anos de sobrevivência no apocalipse o haviam habituado à traição. A feiura da